segunda-feira, dezembro 28, 2009

Sobre mergulhos
..
Quando à minha volta
o escuro faz tudo o mais naufragar
eu mergulho no tempo, nado
e invento como tudo poderia ser.
(abençoado é esse momento
que me leva até você).
Filipe Couto.
***
Aos que amo:
"Para estar junto, não precisa estar perto,
mas do lado de dentro" - Exupéry.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Sobre Folhas

Na suave folha
que corta o vento,
tento (sereno) me segurar...

(moro em castelos
de areia, ilhas, poemas:
sei que assim será sempre
um problema conseguir me encontrar)

Mas, ainda que a minha vida
seja uma tola ilusão,
entrego a ela (mesmo sozinho)
todo este meu coração.
Filipe Couto.

A.n.i.m.a.d.a!
..
Já sabemos que o 25 de dezembro não é (nem de longe!) a verdadeira data de nascimento do Mito Jesus Cristo, o mais importante dos tempos modernos (sem dúvida). Também sabemos que na verdade, a data era comemorada pelos povos pagãos, como agradecimentos à Mãe Terra pelo fim do Outono (mês das colheitas). Foi o restro de uma cultura arrematada pelo cristianismo que pretendia sincronizar as datas importantes e trazer o povo excêntrico para o círculo cristão. Conseguiram, claro. Dos celta só restaram o folclore com suas fadas e gnomos etc., hoje muito restritos aos irlandeses (acho). Mesmo com tudo isso, consigo sentir o espírito natalino de forma muito carinhosa. Acho uma data em que as pessoas tendem a esquecer mais seus problemas, mostram-se mais entregues aos pensamentos bons de reunir a família, amigos... de preparar sobremesas e jantares deliciosos... Hora de ir todos às compras.
Hoje fui ao shopping e senti toda aquela agitação nas pessoas: escolhas de presentes, filhos tirando fotos com o Papai Noel, parando para lanchar ou tomar a clássica casquinha do McDonalds. Às vezes, passo tanto tempo em casa, afogada em papeis, projetos e compromissos com eles que fico desanimada até para descer e caminhar na praia, ver o crepúsculo em dias de sol. Quando saio assim (pode parecer bobagem), mas às vezes é como se conseguisse encontrar sentido pra vida, um sentido simples com bases em momentos corriqueiros, mas que por parecerem povoados de pessoas queridas, acrescentam mais cor à vida. Sinto-me animada pelo dia que está a escurecer, pela noite que já se anuncia... pelo cheirinho de roupa limpa em meu travesseiro... por estar viva, por ser Natal.

Mi.


Sobre Cicatrizes

Não pudeste ser
o meu refúgio, a minha mina escondida;
foste antes o palco iluminado em que
se apresentaram sonhos, medos e feridas.
Para te lembrar, não precisarei de retratos:
bastará olhar o meu próprio peito com cuidado.
(serás sempre a minha mais linda cicatriz)
Filipe Couto.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

E o vento levou...
..
Na infância, me lembro bem, assisti várias vezes ao filme daquela personagem marcante Kate Scarlett O'Hara, do filme (compridérrimo) "E o vento levou". Não compreendia nada sobre o período histórico ou mesmo sobre os motivos da família O'Hara ter ficado pobre. Mas sentimentos de tristeza, perda e solidão parecem conseguir atravessar as barreiras da falta de amadurecimento do espectador, pq penetraram em meu coraçãozinho e, acredito, tb nos das minhas tias, ainda muito jovenzinhas quando víamos. Hoje, do cimo da minha epopeia particular de 29 anos, revi as cenas da fazenda Tara no Europe Chanel. Foi ótimo poder estar diante de uma obra assim com um olhar mais maturado. Pude aprender sobre a Guerra Civil Americana... A luta deles entre si: povo do Norte (com toda sua revolução industrial) e povo do Sul (atrasado neste aspecto, mas muito rico e dono de vastas terras, ainda servindo-se de escravos). O Norte querendo se impor ao Sul, e se impôs mesmo. O Sul ficou d.e.v.a.s.t.a.d.o! A família O'Hara representou bem isso. O filme se passa em 1861 a 1865. Nessa época o Texas já havia sido "arrematado" pelos EUA, já que antes pertencia ao México. Enfim... mas minha vontade mesmo era escrever sobre essa genuína satisfação em poder ter acesso a esse filme agora com mais idade. Isso me deixou profundamente feliz, porque me deparei não apenas com um "novo" filme, mas, em certa medida, com uma nova versão de mim. E é sempre bom identificar algo de positivo em nós mesmos.
Mi.

quarta-feira, dezembro 16, 2009



Dias iguais
...
Depois da Defesa e dos comprimissos todos que, ante um curso assim, acabamos assumindo, um vazio parece ser cavado dentro de nós, nos dias que ficam mais longos... Desdobramentos uns dos outros, extensão de nadas.
Ando sem vontade de ler, de estudar... Já comecei a escrever dois artigos pra publicar em revistas, mas falta a vontade de continuar. Antes de dormir, é certo!, penso, penso que é uma beleza! O ideal seria levantar da cama nessas horas e escrever tudo o que vier à mente. Mas acabo esquecendo de mim nessas reflexões. Quando percebo, já adormeci e, no outro dia, cadê as ideias??? Mal consigo encontrar uma nas prateleiras da memória empoeiradas pelo breve tempo. Poisss. Comecei a escrever o livro que sempre sonhei, As três Marias no qual pretendo abordar os perfis psicológicos de três mulheres pertencentes a séculos distintos. Uma do XIX, outra do XX e a última do XXI. Minha ideia é mostrar como as elas sonharam com um tempo em que pudessem ser livres para fazerem as próprias escolhas. No entanto, chegado esse tempo, ainda há mulheres com amarras. Mas, agora, afetivas e psicológicas. Não mais presas à sociedade cruel oitocentista, por exemplo; todavia, conseguiram encontrar novas formas de prisões: carências afetivas, baixa auto-estima, desorientação diante da vida e dos dissabores. A minha pergunta a mim mesma é "Será que conquistamos mesmo nossa liberdade?". Eu procuro me sentir o mais livre que posso,para seguir meus caminhos e tomar minhas decisões. Mas atenho pensado que sempre estarei presa a algo, nem que esse tal algo seja qualquer coisa ainda sem nome que levo, a esmo, dentro de mim mesma.
Mi.

quinta-feira, dezembro 10, 2009


Episódio: Friends.


Saudade de duas amigas

..
Em janeiro, fará dois anos que nos afastamos. Vocês foram as amigas mais completas que alguém pode ter. O começo da nossa amizade, abençoada pelo Sol da Bahia, estendida ao do céu carioca, foi encantadora. Shows, letras, fotografias inesquecíveis, viagens lindas (cheias de frio e de calor), cumplicidade, doação. Assim éramos nós três. Perfeição? Não. Não estou falando de perfeições. Mas de um trio querido que chegava e saía junto da faculdade, na Tijuca. Sempre amparadas pelos pais de uma delas que nos "adotou" as duas. E nós a ele. Trabalhos ajudados, curso de inglês compartilhado... Jantares sábado à noite.
Sei que jamais, jamais, nos falaremos algum dia. Talvez, jamais as veja novamente. Eu até evitos revê-las. Deixei uma de vcs de fora, tranquei-a outsite quando vc tinha aberto as portas da sua casa, da sua geladeira, do seu guarda-roupa para nos abrigarmos. Deu-nos seus pais, seus avós, sua família. Presentes de Natal e milhões (milhões) de perdões.
Mas há erros mesmo sem desculpas. Nem peço por elas, porque acredito não ter direitos. Às vezes, na vida, enfiamos os pés pelas mãos e quando nos damos por si, já sopramos para bem distante pessoas importantes demais para conseguirmos ser felizes sem elas. E eu queria hoje dizer que estive imensamente feliz nos sonhos da noite passada. Porque as tinha novamente ao meu lado. E foi como nos velhos tempos. Todos nós. Seus pais, sua avó e nós três juntas no fundo do carro. No sonho, faltou-nos cantar as canções do Roupa. Mas como Freud diz "Nem um esquecimento é inocente". E, se não sonhei com esste detalhe, foi porque, de fato, minha fase RN ficou, graças!, no passado. Saudades distantes. Carinho eterno.
Amizade embrulhada com amor, na prateleira das minhas mais doces memórias.
Mi.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Sobre a Primavera

De dentro do meu amor,
nascem todo dia
perfumes e cantos e calores.

Uma primavera inteira
(cheia de cores)
só pra mim
.
por Filipe Couto.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Lua Nova
..
Outro dia, não me recordo bem que lua era, mas lembro que assisti ao filme "Lua Nova" de Stephenie Meyer (escritora e inúmeras vezes rejeitada pelas editoras).
A pergunta que me fazia enquanto vi o segundo filme da saga "Crepúsculo" foi "Quem poderia imaginar que, em pleno século XXI, uma obra sobre vampiros ainda pudesse levar tanta gente ao cinema?" (Sim, pq no cinema é muitooo melhor!).
Vi o primeiro em Recife, em janeiro. Na verdade, entramos eu e minha prima Carol (as duas já distantes da adolescência) no shopping sem ideia do que veríamos, pq nem na internet havíamos checado qq coisa sobre. Um tiro no escuro e um fim de tarde super agradável, sob a influência do olhar caramelizado do Eduard Culler.
Comentários bonzinhos à parte, vejo o lado nada original do livro: começar falando sobre Romeu e Julieta como pista do que se trataria o restante da história? (Pensei: Hum... já vi isso antes, mais precisamente na leitura da peça "Castro", na faculdade. Quando, no início, a protagonista lê o canto sobre Inês de Castro n'Os Lusíadas. Isso sugeria, naturalmente, algo eminentemente ruim para acontecer).
Até aí, perdoamos, claro! Afinal, como diria o ditado populcar:"Não existe uma ideia que nunca tenha sido pensada" ou... "Nada se cria, tudo se copia".
As cenas que alternavam as imagens de lobo seguidas de homem (ou vice-versa), até onde imagino, foram as mais caras do filme que se passa em uma linda cidade super arborizada. Florestas incríveis do oeste dos EUA. Também me perguntei, por que o epíteto "Lua Nova"? Por que a lua estava nova para a mocinha? (nem lembro o nome da personagem feminina). Mas a resposta era pq ela estava entre dois amores: como a lua entre a terra e sol? Apagada? Cinza, preta ou azulada como é descrita a Lua Nova podendo ser vista apenas durante o dia, quando a incidência do sol é mais evidente?
Somos todos um pouco lua nova, anyway!...
Bem, no mais, foram horas agradáveis (menos que a do primeiro filme), mas me distraí. O ar do cinema estava funcionando, a tela e os sons idem. Portanto, deixo meu comentário sobre, já que é essa uma das propostas dos blogues: liberdade de expressão para postar imagens, poemas, recortes de diários, letras de canções etc. Bobagens minhas. Nada mais.

Mi.




Tocando em frente
.
Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história,

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz!...
Composição: Almir Sater e Renato Teixeira.

segunda-feira, novembro 30, 2009


Sem inspiração
.
A ideia é "ando sem inspiração", com vontade, mas sem entusiasmo para escrever. Não sei se é porque escrever me lembra "ter de estudar pra concursos" e termino por me petrificar diante do compromisso sério que preciso, de vez, assumir comigo. Porque, no final de tudo, é a nós mesmos que temos de prestar contas. Já que a escrita está rareada, as leituras nem tanto. Posto um excerto do livro "As pequenas memórias" de Saramago, quando ele diz "Foi um instante, nada mais que um instante, mas a lembrança dele durará o que a minha vida tiver de durar". (p. 20).
Posto ainda esse textinho pequenino abaixo, de Guimarães.
A todos, Namastê.
Mi.

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem" Guimarães Rosa.
P.S. Li essa recorte na página da amiga Elisângela.
Elis, obrigada por compartilhar suas leituras. Que meu carinho chegue até aí ao Porto. Beijos, flor.

quarta-feira, novembro 25, 2009

POA
...
A primeira vez que me encantei pelas imagens de POA foi durante aquela minissérie adpatada do romance "A casa das sete mulheres". Claro... as paisagens dos canyons, o verde espetacular do Rio Grande somados às aventuras do guerreiros "farropilhas" e da história de Manuela Ferreira encantam e marcam. São lembranças convidativas que sempre me seduziram. POA é uma cidade encantadora. Minha amiga Bibiana, da época de faculdade, costumava me contar sobre sua cidade. Narrativas de viagens sempre me fascinaram.
O Parque Farroupilha e todo aquele verde permeando a caminhada dos moradores tomando seu chimarrão, lindas crianças alegres passeando no Lago Negro... pareciam fazer parte de uma pintura renascentista. As imagens "presentificadas" se misturaram às que guardava do RS, enquanto via a série brasileira. Tudo se confirmou...
Gramado (Hum... longo suspiro!) parecia ter sido criada por algum santo casamenteiro, porque é belissimamente romântica, com seus lindos lagos, cachoeiras e fábricas de chocolates. Às vésperas do Natal, então, tudo parecia conspirar para a ideia de que Gramado tb foi feita por mãos de fadas benfazejas, soprando o pó mágico das cores em vermelho e verde natalinas. Fui feliz, extasiadas diante das paisagens que veria. Voltei com vontade de regressar "as soon as possible". E, quando, ou se, isso acontecer, quero respirar novamente o ar do Rio Grande do Sul como alguém que respira ares de recantos mágicos a purificar tudo por dentro.
Mi*

domingo, novembro 22, 2009



"Planejamos tudo: estudos, o dia-a-dia, as datas comemorativas. Mas nada é nosso, e o é concomitantemente. Sei, hoje, que temos apenas nossas experiências com o contraditório. Esta incoerência, às vezes, coerente que nos é a Vida. Somos sós. Somos só nós. Nós e nossas circustâncias. Nós e nossas impressões diante da vida. Somos 'um coração batendo no mundo' " (Clarice Lispector).
******

"Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível."
Diego Marchi.

..



"Every day can be a beautiful day.

Just take a look around you
and think about all of the
wonderful things you have
to be thankful for...
the sunshine,
roses,
laughter,
close friends,
family,
music,
and beautiful dreams.
The storm is never
half as bad as it seems.
Don't let the rain ruin your day.
When the dark clouds move in
just smile,
because the good times
are on the way".
...

terça-feira, novembro 10, 2009

.
O. N.i.r.v.a.n.a.
...
São nos momentos mais simples do cotidiano que, por vezes, as perguntas que nos fazemos encontram suas respostas. Hoje quando saí de casa pra pegar o ônibus na praia, reclamei comigo mesma dos quarteirões que pareciam não chegar ao fim. Tentava me dizer que deveria agradecer à Vida por estar debaixo daquele lindo céu ensolarado, exalando saúde e fazendo parte daquela paisagem. Percebo agora que estava em pleno processo de harmonização, porque tentava equilibrar minhas emoções, pensando em coisas ruins e, ao mesmo tempo, me esclarecendo sobre as boas num pingue pongue de sentimentos que só encontraram fim quando entrei no ônibus, de onde via a beleza da orla, mas cercada pelo doce ar refrigerado.
Calibradas as emoções, penso que nossa verdadeira missão e certeza de Sucesso estão em aprendermos a conviver com nossos sentimentos. Porque o importante, de verdade, não é a coisa em si, a experiência em si, mas como a recebemos dentro de nós, como os fatos se acomodam em nossos corações e em nossos pensamentos.
Talvez, o que mais eu tenha feito até hoje seja isso mesmo, tentar equilibrar as minhas emoções, porque sou atravessada por várias ao longo do dia. Já diria Saramago que nós humanos somos os únicos que conseguimos sentir tudo de uma vez só. Temos a consciência concomitante de cheiros, sabores, sons e cores... O dia inteiro, fazemos sinestesia de todos esses sentidos somados a percepções de mundo, ódio, amor, desejo, cansaço, fantasias. Ufa!...
É isso. Passo o dia tomando decisões, mesmo as pequeninas (Com que roupa sair? A que horas devo chegar?), mesmo essas somente têm importância pelo efeito que provocam em nós, porque, no final de tudo, antes de qualquer outra pessoa, é a nós que precisamos mesmo prestar contas. E se nossos sentimentos estão em desiquilíbrio com o ambiente, com as pessoas, com nós mesmos, aí... não tem lindo cenário ou dia ensolarado que possa nos orientar rumo ao Nirvana, tão almejado pelos monges budistas.
Mi.

sábado, novembro 07, 2009

Penedo -AL
...

Baralho as letras das nossas conversas...

Escolho-as depois, uma a uma, até formar

a palavra Ternura.

Vejo-te em tudo o que faço...

Em toda poesia...

Por toda parte de mim.

by Mi.


terça-feira, novembro 03, 2009



Pousa a cabeça no regaço do meu sorriso, amor,

e embala-me o olhar numa canção de maresia.

E um no outro, amor, finalmente

adormecemos num improviso de mar.
Sandra Costa*






"Tenho palavras penduradas aqui nos pensamentos,

deslizando entre um e outro...

Fugindo, discretas, pelos lábios, tornando-se minha voz.

Como hóspedes inquietas, dizem-me silenciosas

que 'só tuas mãos são como estrelas

penduradas nas pontas dos meus dedos'".

Diary*



segunda-feira, novembro 02, 2009


Poema

.

Esta manhã, encontrei o teu nome

nos meus sonhos.

E o teu perfume a transpirar na minha pele.

E o corpo doeu-me onde antes os teus

dedos foram aves de verão.

E a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento

na minha camisola;

e eu despi-a para ti,

A dar-te um coração que era o resto da vida

Nem mesmo à despedida foram os

gestos contundentes: tudo o

que vem de ti é um poema.

Contudo, ao acordar, a solidão sulcara

um vale nos cobertores e o meu corpo

Era de novo um trilho abandonado

na paisagem.

Sentei-me na cama e repeti

devagar o teu nome

O nome dos meus sonhos;

Mas as sílabas caíam

no fim das palavras,

A dor esgota as forças.

São frios os batentes nas

portas da manhã.

Maria do Rosário Pedreira*





Adicionar imagem

Just a dream
.

Vivi um sonho lindo. Estava dentro de um quadro à tinta. Havia toda sorte de cores. Vibrantes... Por todos os lados, brilhavam demasiado. Tu estavas também. Meus olhos embaçavam-se de sono. Mas pude ver-te. Percebi, claro. Tratava-se de um daqueles sonhos cônscios. Estava consciente. A vontade de te encontrar me pôs dentro da paisagem, onde as tintas grudavam em nossos pés. Quase flutuávamos enquanto tua imagem era a única nítida. Inebriantemente cristalina. Éramos fruto de letargia. Da minha. Contudo, perdi-me de mim, de ti... Sugada pelo inconsciente. No instante seguinte, ao invés de tu e eu, éramos somente a cama, eu e a luminária.
Além de uma presença discreta, mas amiúde, persistente: tu.

...

P.S. Rio de Janeiro, 2007.



terça-feira, outubro 20, 2009



De Clarice para qualquer alma
.
Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo,
já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo,
já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida,
já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono,
já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos,
já descobri que eles não existem.
..
Já amei pessoas que me decepcionaram,
já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou,
já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois,
já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava,
para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
já chorei de tanto rir.
..
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar,
já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
..
Já fingi ser o que não sou para agradar uns,
já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro
"me acho, me agacho, fico ali".
..
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,
já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas
para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.
Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
..
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada
e sempre foram e serão especiais para mim.
Clarice Lispector.
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P.S. Meu momento Clarice Lispector:
Comecei ontem a ler "A paixão segundo G.H.".
Na verdade, só atinei para a existência desse livro em 2007, quando estive em São Paulo, no Museu da Língua Portuguesa, onde havia uma exposição sobre Clarice: objetos pessoais, cartas, manuscritos (Adoro esses vestígios autobiográficos). Depois, pretendo escrever sobre esse livro. Mas, por hoje, penso apenas que essa será mais uma daquelas leituras que me atravessam e mudam minha vida... para sempre.
Mi.

segunda-feira, outubro 19, 2009


,
Cacos de vidro e os pedaços de mim
.

Parece engraçado ver como os vidros quebrados se partem
e se espalham em tamanhos variados. A espaços, esbarro-me ainda com cacos daquela xícara que
Se quebrou, estendendo-se por lugares inesperados e escuros: constantemente, prontos para cortar.
.
Pensei em quantas Michelle’s me dividi ao longo desses anos.
Em tamanhos irregulares como os vidros quando se quebram? Algumas pessoas guardaram, talvez, pedaços maiores meus? Ou pequenos? Mais afiados?
Onde estão todas as impressões que causei? Será que me estilhacei como aqueles cacos de vidro no chão e por toda a parte da sala de estar? Será que me escondi, cortante, em algum coração no escuro? Ou brilhante, como uma lembrança feliz? Ou será ainda que, em maior proporção, alguém lembra de mim como algo quisesse abraçar inteiramente, como um bloco sólido, uma forma regular e preenchida?
..
Sem querer, nós todos nos dispersamos, dia após dia, nos desdobramos através de percepções alheias. Somos seres fragmentados, como raios partidos da mesma luz. Eu mesma vejo-me como esse vidro que se partiu há pouco na sala de estar: desmontada em pedaços maiores e menores, como parte de algo que, algum dia, foi inteiro (Será?). Inevitável é não desejar que, numa hora dessas qualquer, possa conseguir reunir meus pedaços. Ao mesmo tempo reconheço meu destino de ir para além de mim própria, de me desgarrar, me desprender...
O lado positivo do cristal trincado e partido é que ele ultrapassa os limites do ser si mesmo, traz o caos e a busca pela ordem, mesmo que a regularidade de antes se torne impossível. Será que somos colados pela vida o tempo todo?
..
Escrevo, teço e discorro. Penso: O que são essas palavras? E os cacos de mim me gritam dos pequenos brilhos espargidos: elas são a minha eterna tentativa de reconstituir, na escrita, os estilhaços de um todo em mim.
Michelle.

sexta-feira, outubro 16, 2009


Escoando
..
Sabe aquela água que desce pelo chuveiro num dia quente,
quando sente uma imensa vontade de se esquecer ali debaixo da pequena represa?
Sabe aquele fio de líquido caindo pela torneira enquanto vc lava a taça suja de vinho?
Sou eu. Vim confessar minha imaterialidade.
Pois que sou tudo que escorre e escoa e desce e dilui.
Sou o tempo que em si mesmo não se reconhece.
Sou essa saudade que passa e vai passando e me levando com ela
Sufocando-me e me faz sentir como algo que se esvai e vai...
Pra onde? Onde está o Sol?
Sou o rio correndo depressa, esse mesmo rio onde afogo meus pés cansados, vacilantes.
Sou esse ser impalpável...
Respirando apenas nos espaços entre uma palavra e uma vírgula,
abrindo áspas para a saudade, espremida entre as frases errantes n
a solidão que sou no rio-do-tempo em mim mesma.
Mi*

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Still here
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Não sei por que ..
À beira do mar, na Primavera, não sei por que meu coração te escolheu
Entre as idas e vindas curvas e retidões dos anos
continuas vivendo em mim
Pelos escombros dos sonhos que se afogaram em desilusões... ..
Não sei por que, mas aquele beijo com o sabor da eternidade não foi dado a ninguém
Depois da morte do meu amor, por baixo das marés entre sobe e desce descobri-te ainda...
Continuas vivendo em mim...
Flagrei-te como quem apanha um ladrão na escuro do quarto
Como alguém que viveu intensamente, mas que, hoje, respira
devagar porque esteve à beira da morte, em outras estações...
Não entendo o porquê. Uma sentença de vida? Ironia?
Será que descobriram, em mim, os deuses
um maleável brinquedo?
Uma praia nua onde pudessem fechar e abrir cortinas
Levando e trazendo o Sol ao sabor dos ventos?
E eu continuo sem compreender.
Mas, a verdade é que te localizei hoje aqui
Bem dentro do coração...
Remexendo-se como um pássaro ferido e faminto
por baixo da minha saudade.
Mi.

quarta-feira, outubro 14, 2009

.
Para o Pequeno Príncipe
..
Nossa, há quanto tempo...
Como vão as coisas no seu pequeno planeta?
Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos. Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.
Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista. Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era.
“A gente só conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante.
.
Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim. Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro.
..
Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.
Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante. Percebeu o tom de chantagem?
Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro.
Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única.
.
Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla. A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.
Veja que coisa infantil.
São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu?
.
Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém. A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado. Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.
Saudades distantes,
Fernanda Young.
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P.S. Sempre quis postar esse texto Young.
É um desmoronar dos mitos de amor eterno trabalhados no livro de Exupéry.
É uma perspectiva de leitura que vale a pena conhecer também.
..
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Nas margens de um rio chamado Eu
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Olhe
Lá está eu!
Eu fluindo...
Sem saber para onde...
Sem saber desde quando...
Mas estou indo!
Em uma correnteza apelidada por Tempo.
Onde o Tempo não sei se sou eu que sigo
Ou é ele que me segue.
Karline Batista.

Meu amor é um passo de fé no abismo em seu olhar
(Abismo)

..
Bem daqui onde estou
já não dá pra voltar
Nas alturas do amor
Onde você chegar
Lá eu vou...
E o que mais a fazer
a não ser me entregar?
A não ser não temer
O abismo em seu olhar
ou é mar?
O seu olhar...
..
Não há precipícios na vertigem do amor
Só descobre isso quem se jogou
Não sou eu que me faço voar
o amor é que me voa
E atravessa o vazio entre nós
pra te dar a mão
Não sou eu que me faço voar
o alto é que me voa
Meu amor é um passo de fé
no abismo em seu olhar
Ah, ah, ah...
No seu olhar
Me vejo andar no ar
lá no abismo lindono seu olhar.
Jorge Vercilo.

terça-feira, outubro 13, 2009




Saramago: "Twitter é a antecâmara do grunhido".
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Como não poderia deixar de ser, Saramago se posiciona em relação ao fenômeno Twitter. Quis postar! Vamos ler...
Diário Digital: O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?
Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.
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Isso é a cara dele mesmo! "Saramago-AmaRgo!" haha!
Concordo, em partes, com o Nobel. Aliás, abro parênteses para meu espanto diante do prêmio Nobel da Paz ao presidente norte americano B. Obama. Genteeee, o presidente de um país que possui a maior indústria bélica do mundo??? Sem mais comentários! Bloody hell!
Mi*


Doces amigos: Cinho e Mary


Pastelaria
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É claro que, quando adolescentes, sonhávamos em amizade eterna e amor eterno, etc. E havia um medo de não poder cumprir nosso trato com o "forever and ever". É natural dessa fase fazermos as alianças com a Senhora Eternidade e nos vermos, constantemente, às voltas com o ideal de "felizes para sempre".
A verdade é que, embora nos vejamos pouco, sempre quando nos vemos, é como se os anos não tivessem se passado demasiado. No máximo, é como se estivéssemos voltando das férias de Verão, que são as mais longas do ano.
Mas os anos se passaram! (E se passaram!). Há dez anos, nosso segundo grau, no Assis, acabou. E mesmo diante da passagem do tempo, podemos pensar que, em certa medida, a distância temporal e, por vezes, geográfica não nos afastou definitivamente, porque, de alguma forma, é como se nem tivesse passado, tanto assim, por nós.



A.M.I.G.O.S. {Mi, Jack e Cinho}

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Dizer que não passou tb é demais! Afinal... estamos saindo da casa dos vinte, a época do cursinho já passou, a graduação idem (cada um com rumos diferentes). Namorados foram, vieram novos. Mudanças de casas, cidade, de sonhos (pq não?). É bom mudar alguns sonhos também. Tirar a poeira de outros. Hoje, tirei a poeira de cima do meu desejo de que nossa amizade perdure um pouco mais. Até estarmos velhinhos. Quem sabe? (Eu torço por isso). No mais... Apesar de me chamarem de Elba Ramalho nesta foto, eu a postei mesmo assim, pq está alegrinha. E está de verdade. Isso é o mais legal...
Mi*

segunda-feira, outubro 05, 2009


Os Maias (Eça de Queirós)
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De todas as leituras feitas na minha vida, sempre me refiro a Os Maias como a mais completa. Não sei se foi porque assisti à minissérie num momento desses qualquer em que estamos demasiado fragilizados. O fato é que sempre penso nesse livro, na forma como Eça descreveu Portugal oitocentista, no amor qe se cumpriu na ficção dos personagens Carlos e Maria Eduarda da Maia. Volta e meia, coloco o DVD para assitir e salto para dentro das imagens de época, completamente arrastada pelo ludismo do linguajar, dos hábitos e da moda do século XVIII. Hoje em dia, após as leituras de outros livros queiroseanos, vejo que Maria Eduarda foi a única personagem feminina, verdadeiramente, levada a serio pelo autor, no sentido de que as outras tinham sempre perfis descritos como frágeis, fúteis como a Luiza, de Primo Basílio. Maria Eduarda, não. É forte, prendada, prudente, séria, responsável, mas que vive uma relação por necessidade financeira e, diante dos encantos e instências de Carlos, se rende ao adultério após muita resistência. A prima do promíscuo Basílio era aquela típica jovem romântica, inconsequente nas suas atitudes, a adúltera arrependida. Maria Eduarda não se arrepende de nada e assume suas atitudes. Além de ser a única personagem de Eça descrita como "Deusa".



Gosto mesmo de ver e rever as cenas. De ler e reler, de me ver, por vezes, fazendo uma atividade corriqueira e me pegar, distraída, repetindo passagens do livro, como quem degusta uma fruta doce "Queres conhecer o Ramalhete?". Acho bonito esse antigo hábito de batizarem as casas com nomes assim... A toca, Ramalhete...
Também penso que, naquela época, as mulheres de toda a parte eram muitos submissas, porque assim programou a sociedade. Hoje em dia, porém, temos maior liberdade para escolhermos quem levamos conosco a um cinema sem nos preocupar muito em contratos com o ideal "Até que a morte nos separe". Mas mesmo em épocas assim mais amenas, conheço mulheres que parecem ter saído de dentro de Os Maias, porque se encontram em situações de dependência, como uma personagem de papel dessas que conhecemos em livros do século retrasado.
Vim aqui escrever para me encontrar com as lembranças da linguagem de Eça, porque acredito, mais que nunca, na escrita como lugar que reune os tempos, que reconstrói os cmainhos de volta às lembranças, acendendo-as para nós. Mesmo que seja a lembrança de um leitura que, em rigor, deveria ter menos força do que as experiências diárias.
Mi.
***
P.S. Não gosto do Belo, mas acho essa musiquinha bonita. E tem um pouco a ver com meu momento hoje.
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Reiventar
Diz que já é tarde
Que não tem mais jeito
Mas eu não aceito a decisão
Do teu coração em partir
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Sem tua metade
Sou tão imperfeito
Tudo tem um jeito, coração
Sei que a gente pode sorrir
Juro que vou me conter
Juro nunca mais errar
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Como eu quero te mostrar
O milagre do amor
Você me fez mudar
Tão bom te amar
Te amar
..
Recomeçar
Sem me esconder
Atrás de um ditador
Existe um grande amor
Eu sempre fui apaixonado por você
Reinventar
Resplandecer o que não apagou
em mim nada mudou
eu sei que o sonho ainda pode acontecer...
(Belo)

sábado, outubro 03, 2009


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Amor é síntese
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Por favor não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.
Mário Quintana.
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Poema de José Saramago
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Na ilha por vezes habitada do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno,
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece e
viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até a os ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem
milagres como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
Mi.