segunda-feira, julho 25, 2011


Observe a natureza.
Tudo nela é recomeço.
No lugar da poda surgem os brotos novos.
Com a água, a planta renasce.
Nada para.
A própria Terra se veste diferentemente
todas as manhãs.


Isso acontece também conosco:
A ferida cicatriza.
A dores desaparecem.
A doença é vencida pela saúde. 
A  calma vem após o nervosismo.
O descanso restitui as forças.

Recomece.
Se preciso, faça tudo novamente.
Assim, é a vida...


P.S. É extamente esta sensação que tenho hoje: a de haver sempre essa necessidade de renovação interior.

domingo, julho 17, 2011



 DESTINO

Quem inventou os caminhos, deve ter inventado também o Destino onde eles vão dar... Vários os caminhos, incontáveis os destinos.
Como aeroportos, rodoviárias que sabem aonde se vai chegar, sem impedir, porém, quais rodovias vai-se percorrer. Depende do estado do esfalto, do tempo, da hora. Há uma previsão de vias e ruas que deem num só destino. Como remetente que escolhe o destinatário-Destino. As opções são variadas. O motorista determina, ou não.

Tenho tido uma relação tranquila, de amizade, com o Acaso até aqui. É... vejo-o em tudo e o acho incrivelmente per-fei-to. Como se a única convicção fosse mesmo a Incerteza, tudo o que pode ou não ser. Mas um questionamento persiste, passa correndo entre meus pensamentos, como uma criança levada e questionadora: "Com tantas disparidades, em meio a tantos paradoxos, será que Acaso e Destino também não constituem mais um contraste em nossa árvore genética? Não andariam ambos de mãos dadas como todas as antíteses que conhecemos?".

Talvez em meio ao Acaso, às mudanças que nunca mudam (Camões... ah, Camões), exista algo de predestinado, sim...
Cinderelicamente falando? Não. Cônscia? Acredito que sim. Parece-me que, embora tenhamos feito inúmeras escolhas em nossas vidas, optado galgar estradas distintas, chegamos, dentre tantos lugares, a algum Destino propriamente dito. Um daqueles que não acreditávamos, pq acreditar em cegonhas e coelhos da Páscoa nos era doce e ledo engano. Destino daqueles bem fatal mesmo! Que corresponde àquele adágio popular que repudio tanto "Foi destino!" ou o famoso "Era pra ser"! Urggggg! Terei eu que sucumbar a mais um paradoxo...

Mas será, meu Deus?

E, afinal, há algum Destino que consiga fugir às rédeas firmes do Acaso?
Pois que deve haver...
Desconfio que, apesar dos trilhos cruzados e descruzados, tortuosos, retos, contínuos, descontínuos, limítrofes... acabei eu chegando ao mesmo porto, ao mesmo abraço forte e apertado em que se misturam épocas e sonhos ensurdecedores...
Ao mesmo encontro, ao mesmo endereço-destino: você.
Mi.

quarta-feira, junho 22, 2011


Perdida e salva

Tentativas vãs de descrever o que me calou
Me roubou palavras e chão e ar
Me roubou de mim
E a dor some no vazio que o seu beijo preencheu
Da flor somem os espinhos
É assim o mundo que você me deu...
Não há
Sensação melhor
Não há
Sinto estar
Perdida e salva

Tentativas vãs de libertar
O sentido maior que as palavras prenderam
Quando eu disse: amo você
Em lugar de mil palavras, deixa o instinto se exercer
Deixa o íntimo silêncio percorrer só.

Apesar de ser tão claro eu não consigo entender
E apesar de ser tão imenso cabe em mim
O mundo que você me deu

Não há
Sensação melhor, não há
Sinto estar: perdida e salva


***
Porta-vozes do não dito

É natural reconhercemos fragmentos de nós dispersos em letras de canções, excertos de poemas... Parece que emprestaram os deuses a alguns seres humanos o doce dom de dizer por aqueles que se silenciam, como porta-vozes do não dito. Essa letra da Sandy, por exemplo, me descreve tb.
Eis que vivo na corda bamba de uma paradoxo: perdida e salva. E o pior... não sei como coube em mim o mundo incoerente que me deu... E vivo assim: na dor some todo o vazio que sua beijo preencheu... na flor somem os espinhos.

E a corda? Bamba... e firme como as linhas retas de uma folha de caderno. Eu não caio. E ninguém me pergunte o porquê pois os meus porque's já se esgotaram (Tantos os das perguntas quanto os das possíveis respostas). Os meus motivos pra suportar essa disparidade consomem-se e renascem de si mesmos como Fênix. Drummond, para consolo dos inquietos, diria: Existem mil motivos para se odiar uma pessoa, e uma só para amá-la. Pois... escrevo, porque as letras sao meu corrimão (=apoio, ponto de um fragil equilíbrio).
Mi-com sono e sem mais para o "doce" momento.




"Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração,
 respeito, ternura, tesão.
Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente
na prateleira de cima,
tinha de ser justo amor, meu Deus?"

Caio Fernando Abreu.

terça-feira, junho 21, 2011


Borboletando pelos jardins alheios

Borboletando pelas páginas de blogues alheios, li um fragmento de Vinícius de Moraes que diz assim: "Nada melhor para a saúde que amar um amor correspondido". Lembrei daquele filme Mouling Rouge, visto no cinema, no Rio, há anos. Tb o vi na facul... Volta e meia os Telecines veiculavam tb. Adoro esse musical. O protagonista costuma dizer uma frase semelhante a do poeta brasileiro exímio em kit D. Juan. 
Um desfile de cenas mentais passam pela minha cabeça. Demonstrações dele de afeto, carinho, ternura, desejo... tudo isso desencadeia efeitos de um enorme bem-estar no coração. Relembro as músicas bem breguinhas românticas que ouvia na adolescência, as do Roupa (todas conhecidas do meu coração) surgem como estrofes de poemas que ainda recito de cor, e nem sabia... Por onde anda o RN que nem penso mais neles? Foram "amigos" queridos, e valiam a pena as filas enormes de camarim, as idas aos longíncuos hoteis para conversas bobas... Não sinto saudades, porém. Lá para trás ficaram.

Mas quanto ao bem-estar no coração...
De repente, as dificuldades tornam-se maleáveis, ganho um novo fôlego pra tudo. No rádio, toca aquela cançãozinha brega do Luan Santana Amar não é pecado, e se eu estiver errado que se dane o mundo eu só quero você.
Rio em solêncio...
E me apego ás palavras de Pessoa, como quem olha pros lados e tenta achar, no mundo adulto, alguém ilustre, com respaldo, que tenha se sentido ridículo como eu, e me diga que não estou sozinha em estado de graça assim. Eis que lembro do poeta português quando sabiamente diz Todas as cartas de amor são ridículas!
Pois, então... Se Pessoa pode, tb me atrevo à sensação ridiculamente poética, sob os efeitos entorpecentes do amor.
Mi*


***

Textinho da Caio Fernando Abreu. Vale a pena ler...

Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de "atrás da porta", ali no quando "dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar". Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótimo pra essas coisas. E Drummond quando ensina que "o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras."

Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único e indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz.

O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um Litlle Help from my friends, e a plateia ainda aplaude e pede bis (O Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). 

Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que já estive lá, naquele terreno. Ele existe. (...) O que quero dizer é justamente o que estou dizendo Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicardiaco, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: It´s all right man, I´m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano.

Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira.

Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu."

sexta-feira, junho 17, 2011


Bom dia, vida!


A luz despiu seu cobertor
Bom dia, vida!
O meu corpo amanheceu
Com uma alegria menina!
Bom dia, bom dia!
Abro a janela ao convite
De um coral de passarinho.
Um sol cor de riso me veste
Da cabeça até os pés.
Respiro o aroma de terra,
Cheiro de orvalho e café.
Bom dia, bom dia!
Dia bom de colher flores
E um ramalhete de amores…
Bom dia, vida,
Bom dia!
Ilka Brunhilde. Brincando de amor. São Paulo: Moderna, 2003.


P.S. Poeminha para decorar e declamar ao namorado pela manhã. Genuíno, doce, quase infantil!...




A verdade do encontro

Os outros, eu conheci por ocioso acaso.
A ti, vim encontrar porque era preciso.
(Guimarães Rosa).





Câmera:
a nova contadora de histórias da contemporaneidade


Ver novelas fez ou faz parte da rotina de muitos brasileiros. As meninas crescem vendo as tramas, emocionando-se com as histórias complicadas dos casais. Mas de todas as narrativas visíveis que nos fizeram companhia nas horas ociosas, nenhuma foi melhor, mais bem tramada, mais bonita do que “O clone”. E falo com o olhar de quem foi e veio pelos meandros de literaturas sérias e engajadas. Falo com propriedade.

Geralmente, as novelas, claro, são veiculadas com fins comerciais: vendas de produto através de entretenimento. Por vezes, esse produto pode ser uma ideia, um comportamento, uma nova ou antiga visão. É uma receita que funciona. Nessas narrativas, o foco dado pela voz-câmera é veriado, de modo que fica difícil saber quem são os protagonistas. Nesta, não.
Os personagens principais não são confundidos facilmente. Vê-se que a história gravita em torno dos dois que se escolheram, mas adiam demasiado a união definitiva devido a dilemas comuns á humanidade: dúvidas juvenis e inseguranças (Lucas); submissão forçada por uma cultura patriarcalista em que a mulher é vista como tendenciosa ao pecado (Jade). É o mito de Eva que se eterniza...
'"Engraçado" ver como a protagonista, amiúde, surge acuada como um bicho: presa no quarto, presa na casa, presa do lado de fora da casa, vagando com a mala na mão, fugindo em ruínas com a pequena nos braços. Sempre diante dos ditames de uma religião déspota, inadaptável aos avanços da humanidade. A opressão feminina sobrevive, se desenrola anos a fio, pois veem a mulher como uma mera procriadora (Quanto primitivismo, meu Deus!)

A escolha das palavras e expressões, a trilha sonora, a edição, foi tudo muito bonito. Penso que foi feita por milhares de mãos, como as de quem constroem castelos de sonhos. O diretor expôs claramente os paralelos entre os personagens, exibindo imagens que quando não se contrapõem, se somam como nuanças bem definidas de cores. Quando se veem imagens da vida de um, episódios da vida do outro são emparelhados, revelando caminhos opostos, mas unidos pelo olhar da câmera-narradora que não hesita mostrar também os encontros e reencontros de J. e L.

Vejo todos os dias (de novo). Foi uma história que mexeu comigo no final da minha adolescência... Ver uma mulher emparedada pelo Amor e ódio desenfreados de um homem machucado pelo desamor (Said), subjugada pela religião hostil, fragilizada pelos limites impostos, sedenta pela liberdade de viver com um homem (agonizante tb) que vem e vai. Um amor escolhido do seu próprio coração mas que não o pode viver... tudo isso nos faz refletir sobre a nossa cultura e valorizá-la mais (Amo meu brasil! Como é bom ser mulher aqui, no século XXI, num país livre [livre até demais?]).


Enfim!...
Isso, claro, desperta emoções e sentimentos. É uma delícia reviver essa história. Em cada abraço de reencontro, vejo uma identificação com todas nós que amamos, e aguardamos, ardentemente, o cálido afago dos nossos namorados que vivem longe, que vão para longe...
Em qualquer época da jornada do ser humano, todos nós de sociedades atuais ou antigas adoramos ver, sentir e ouvir uma boa e bem contada! história. Isso ninguém pode negar...
Mi.

sexta-feira, junho 10, 2011



Adoro versos livres.
Posto um com o qual acabei de trabalhar.
Tem a ver com meu momento...
Tu-do!

***

Receita para curar (...)

Chore um mar inteiro
com todos os seus barcos a vela
Chore o céu e suas estrelas
os seus mistérios, o seu silêncio…
Chore um equilibrista caminhando
sobre a face de um poema.
Chore o sol e a lua,
a chuva e o vento

Para que uma nova semente
entre pela janela adentro.

Roseana Murray.

sábado, maio 21, 2011




Há muito não venho aqui,
"Perdida"entre muito trabalho,
reuniões familiares,
leituras, alegrias, chatices.
Acrescem-se a isso, no entanto,
notícias que encheram meu coração
de alegria. Mas não uma simples
satisfação. Alegria deveras!
Enfim, é certo agora...
O lago ensolarado encontrará
o noturno oceano:
fusão, soma, encontro.
Tudo em meio ao cotidiano,
como se o fosse, sem o ser.
Mi.

quarta-feira, janeiro 26, 2011


Apaziguamento

Observo tanto entusiasmo nos jovens...  Meus irmãos, por exemplo, estão sempre á mil por hora. Essa agitação é tão peculiar e evidente que parece redundante, já que a palavra "jovem" é como um sinônimo de "frescor, dinamicidade...".
No entanto, concomitantemente há muitos com espírito envelhecido... cabisbaixo, enquanto existem inúmeras outras pessoas amadurecidas de aspecto muito mais jovial. São os adultescentes! Meu amigo querido Sérgio é assim: sempre sorrindo e com roupas rejuvenescedoras. Para acompanhá-lo nesse ritmo, até o vocabulário é á caráter.

Quanto a mim, considero ter sido uma adolescente bem típica (não totalmente! Há as singularidades). Fui assim... muito entusiasmada, vivaz, inquieta. Essa parte da inquietude é a de que não sinto a menor falta, porque provocava demasiada ansiedade... daquelas incomodativas mesmo.
Durante o dia inteiro, nosso corpo é acometido por uma série de reações químicas, muitas delas provocadas pelos sentimentos. O da ansiedade pode se tornar angustiante demais. Daí, minha preferência pela fase balzaquiana da minha vida.
Uma das benésses que percebo agora aos 30 é a sensação, cada vez mais crescente, de apaziguamento. Há uma tranquilidade correndo nas veias não experimentada antes. Isso afeta o semblante, provavelmente, pois neste momento é possível tornar-se mais calma, com gestos mais tranquilos, pacíficos... Poucas coisas vão surpreendendo e o mundo vai se tornando um "museu de 'grandes novidades'"...

Quando se vive um pouco, reconhece-se pessoas com perfis semelhantes a outras já vistas. É possível também observar a repetição nos acontecimentos e como, ás vezes, seus desfechos podem ser óbvios, como caminhos pelos quais já se passou e não há mais lá grandes novidades nele. A sorte, claro, é não se conhecer sobre tudo tanto assim, é o estático mudar de lugar, mas devagarzinho... como os movimentos das placas tectônicas, perceptíveis somente após algum tempo.
Porém, de repente, até mesmo essa mudança torna-se um pouco previsível.

No final, talvez, conquistamos um olhar mais fixo, focado... pronto para continuar contemplando as mudancas relativamente previstas. Felizes por ainda estarmos assistindo ao espetáculo da vida, agora, "sentados" mesmo á beira do " rio"  chamado Tempo. Conscientes de que ele passou e passa mais... levando, limpando em eterna condição de movimento.
É chegada a época lúcida de que não se tem mais o tempo todo para tudo (Pode parecer confusa essa ponta do iceberg, mas em sua profundidade há bastante coerência).

Enfim...
Já não ando mais agitada, com aquela cabecinha de borboleta ansiosa pela casa. Tinha mania de dançar, me olhar no espelho experimentando roupas novas ou não... Tinha hábito tb de pensar demais em shows, viagens vazias, ver o Roupa Nova... e no amor único que concentrava todo numa pessoa só.
Hoje, o amor, pra mim, está mais espalhado, mais distribuído nas pequenas coisas do cotidiano, no valor que realmente se deve dar ás pessoas queridas. Conquistar essa percepção trouxe tanta paz que, se tivesse compreendido isso antes, certamente teria vivido cada momento bem comedidamente. E é esse meu novo passatemo: procurar sentir e fazer tudo bem devagar. Já que tudo previsivelmente passa, quero que se vá, mas em câmera lenta!...
Mi-Dew drop*  


Mudanças
(Camões)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.


O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

segunda-feira, janeiro 24, 2011




Não é preciso dizer...


Sempre que algo doce e demasiadamente feliz me ocorre, costumo lembrar daquela frase de Clarice Lispcetor "O melhor está nas entrelinhas".
Verdadeiramente, acredito que não precisamos expor nossa felicidade claramente em letras garrafais.
Dias de puro amor e reencontros, saudades saciadas... tudo isso deve ficar guardado em nossa memória como se o fizéssemos em caixinhas de segredo. É um momento que deve ser silencioso, como aqueles quando estudamos ou estamos em meio á leitura, momentos "a sós" cheios de reflexões e sorrisos dos quais poucos devem compartilhar.
Nessas horas, prefiro mesmo o silêncio ás palavras, e olhe que sou das Letras!
De fato, não é necessário gritar ao mundo nossas alegrias, a inveja tem mesmo sono leve. Acredito em poucas coisas, mas a inveja... acho que suga  nossas energias, gerando ondas de negatividade. Nada ganhamos com isso. Discretamente, podemos nos sentir felizes de forma comedida e silenciosa. Assim dura mais, sentimos mais...  
Mi-about past week.







Quinta-feira

Na quinta, dia 19, encontrei-me novamente com os amigos da época de colégio. Não dá sempre pra juntar todo mundo. Então, desta vez fomos só eu, Gabi e Cinho. Sempre que podemos, combinamos uma pizza, temaki, Habib's... Ou Gabi vem aqui e a gente conversa um pouco. Quando vou a SSA, procuro vê-la também. E sempre é muito agradável. Um momento feliz! Nada de pieguices ou de nostalgias cafonas. Falamos sobre o amor, amizades, sonhos, nossas vidas atuais, planos... Sobre as bebidas que eu deveria experimentar, mas que odeio todas!... Fiquei na minha rosca de morango (de sempre), que mais parece um Kapo de tão doce e sem álcool.
Foi bom rever meus amigos, saber como estão, ouvir suas vozes de perto sem ser por fone ou vídeo do MSN...
No fundo, parte do que fomos continua a mesma da época de Assis. Mudamos muito. Claro. Mas nos gostamos ainda, queremos nos ver, nem que para pisarmos no mundo um do outro seja apenas por breves horas, não mais em tempo quase integral, como quando fazíamos trabalhos de escola, provas, farrinhas de adolescentes em micareta todos juntos.

Eles sempre representaram para mim um espaço de acolhimento e aconchego. Porque quando a vida me negava todos os dias o que eu mais queria, era com eles que eu ficava e chorava. Eram eles que me distraíam, cantavam BSB comigo... que foram ao meu primeiro show do Roupa comigo...
Não sei o que seria de mim sem meus amigos.
Minha adolescência foi uma época de inquietudes e, enfim!... suas companhias tornavam meus dias suportáveis, principalmente em 98. 
Gosto desta fase da minha história em que tudo está tranquilo, definido e os horizontes bem cristalinos e evidentes em relação ao que realmente sei ser melhor pra mim.
Aceitei muita coisa. Essas que a gente não pode mudar, nem deve querer mudá-las. É difícil. O processo foi leeento, dolorooso... masss passou. 
E é bom saber que, de alguma forma, suas vozes e sorrisos ecoam ainda em lembranças recentes, não em memórias longínquas de um passado distante, porque os dias de escola acabaram, mas a amizade, não!
Com carinho,
Mi.

quarta-feira, janeiro 19, 2011



Campo minado


Terra seca, ar rarefeito, campo minado.
Centímetros de exceções ainda existem. 
Em meio a eles, estou sempre ilhada e agradecida por ter uma parte, nesse território inóspito, a salvo.
Restou-me um pedacinho de terra fértil onde viver e cultivar o amor.
Mas é difícil viver num espaço onde tudo é estreito, mal caibo nele e quando me movimento (um pouco que seja) esbarro, amiúde, nas possibilidades iminentes de detonadores. Explosões que ferem tanto.
Tanto que nem sei dizer...
Pior é parecerem enraizadas no solo, porque explodem sem se pulverizar. Estão sempre de pronto para machucarem novamente ao mais ligeiro e simples toque.
É demasiado pequeno aqui.
Só não sei como, mesmo com tão pouco ar pra respirar, ainda encontro fôlego.
Aqui de onde escrevo, ainda há uma fonte, profunda, fervilhante.
Tudo é aceso e há fagulhas de esperança gravitando ao redor.
Queria a vastidão dos campos, a terra firme, a ambudância...
Respirar o ar puro do melhor pra nós dois enfim...

Sobre postagem em palavras-chave: saudade, vazio, fragmentação.


Miss u already!...

 

TEMPO

Saudades
Vaidades
Verdades
Coragem
Miragens
E a imagem no espelho
Como a dor
Que fere o peito
Isso vai passar
Também...


E todo o medo, o desespero
E a alegria
E a tempestade, a falsidade
A calmaria
E os teus espinhos
E o frio que eu sinto
Isso vai passar
Também...

Sandy.