segunda-feira, março 24, 2008

"Que medo alegre o de te esperar..."
C.L.





"Olhei pra você fixamente por instantes.
Tais momentos são meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."
Clarice Lispector*

"Eu sou antes, eu sou sempre, eu sou nunca.
À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios".
Clarice Lispector, in "Água Viva".


"O que te escrevo não vem de manso, subindo aos poucos até um auge pra depois ir morrendo de manso.
Não: o que te escrevo é de fogo como olhos em brasa. "
Clarice Lispector, em "Água Viva"*


"É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."

C.L.
"Lembrei-me de ti, quando beijara teu rosto de homem,
devagar, devagar beijara, e quando chegara o momento de beijar teus olhos - lembrei-me de que então eu havia sentido o sal na minha boca,
e que o sal de lágrimas
nos teus olhos era o teu amor por mim".
C.L.
Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso?
Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada.
Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras...
"O melhor ainda não foi dito, o melhor ainda está nas entrelinhas" .
C.L.



"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome".
"Sentia o mundo palpitar docemente em seu peito, doía-lhe o corpor como se nele suportasse a feminilidade de todas as mulheres."
C.L.




"Eu tou ensaiado para te tocar..."

Os tribalistas.

"Tenho várias caras.
Uma é quase bonita, outra é quase feia.
Sou um o quê? Um quase tudo"
.
Clarice Lispector.



"Uma vez irei.
Uma vez irei sozinha, sem minha alma desta vez.
O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos, com recomendações.
Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo.
Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai.
Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria...".
Clarice Lispector*

"Ouve-me.
Ouve o meu silêncio.
O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa.
Capta essa outra coisa de que na verdade falo, porque eu mesma não posso. Lê a energia que está no meu silêncio."

Clarice Lispector*

"Perdi uma coisa que me era essencial, e que já não é mais.
Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas.
Sei que somente com duas é que posso caminhar.
Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar". Clarice Lispector